Fique atento as tendências de consumo pós Covid-19

O exercício de futurologia é inevitável no mundo corporativo. Identificar tendências de consumo é se antecipar às oportunidades e largar na frente da concorrência. Não obstante, é sempre bom avaliarmos as profecias com parcimônia e senso crítico, porque nem sempre elas se concretizam.

Podemos dizer isso com tranquilidade a partir do momento em que sequer sabemos o impacto da pandemia sobre a economia, sobre o emprego, a renda e as condições de vida da população. Assim como vivemos um momento delicado, cheio de indefinições, na questão política.

Ao mesmo tempo, parece um exercício arriscado tentar antever como as pessoas sairão da crise, até porque ainda temos dificuldades de dimensioná-la, quanto mais, então, suas consequências sobre o comportamento e a percepção das pessoas.

O consumidor é só uma faceta de um indivíduo complexo, que está sendo exposto a uma realidade nunca antes vivenciada. É em decorrência do aspecto inédito da realidade ora em curso que não podemos cravar prognósticos. Muita coisa pode mudar, assim como outras não.

Não obstante, enfrentar o desafio de antever o futuro é inevitável se queremos buscar vantagens competitivas para o nosso negócio. Tão inevitável quanto o senso crítico para separar o joio do trigo, ou seja, o que tem base científica do que é só especulação.

Foi o que tentamos fazer ao estruturar essa pequena lista de tendências de consumo pós Covid-19.

Vamos em frente?

1. Migração de grandes contingentes para o e-commerce

Essa é a maior de todas as barbadas. Basta dizer que o e-commerce teve um crescimento de 81% em abril de 2020, em plena pandemia, em relação ao mesmo período de 2019.

Vale reiterar sempre que o crescimento do e-commerce não é um fenômeno decorrente da pandemia de Covid-19, tampouco das políticas de isolamento social. O e-commerce vem crescendo aceleradamente nos últimos anos, com um contingente cada vez maior de consumidores se convertendo às compras digitais.

O que a pandemia está promovendo é a aceleração desse processo. Por falta de opção, já que grande parte do comércio está fechada, as pessoas acabam percebendo que a única forma de consumir determinados itens é pela internet.

Mesmo aquelas pessoas que tinham receio de comprar pela internet estão sendo obrigadas a ceder ao novo padrão de consumo. Esse perfil de consumidor tende a se transformar ao perceber os benefícios da compra online, onde ele encontra:

  • Conforto;
  • Conveniência;
  • Economia;
  • Variedade de opções.

A mudança para o consumo digital costuma ser um caminho sem volta e não será diferente com esse novo consumidor, pois ele perceberá que comprar pela internet é cada vez mais seguro.

A expectativa, portanto, é de que o e-commerce converta um enorme contingente de novos e-consumidores. Mesmo após a pandemia, teremos menos movimento nas lojas físicas e mais compras online.

Embora não haja ainda pesquisas que confirmem essa afirmação, sabíamos desde antes da Civid-19 que a tendência do crescimento do e-commerce era de 19% para 2020. O que se pode prever é que esse aumento será muito maior, em decorrência, claro, da pandemia, mas para os anos seguintes o contingente de consumidores online será muito maior do que aquilo que se podia prever em condições normais. É quase o mesmo que fazer uma regra de três.

2. Consumo consciente

O consumo consciente é uma questão profundamente ligada a preocupações muito presentes na sociedade. Uma delas é a preservação do meio ambiente, a outra é a questão das finanças familiares.

Quanto à questão ambiental, reconhecemos que o consumo desenfreado é uma ameaça ao planeta, na medida em que demanda extração de recursos naturais para produção de matéria prima. Sem contar com o descarte de resíduos decorrentes do consumo no meio ambiente, em que pesem as políticas de reaproveitamento desses materiais, sobretudo em processos de reciclagem industrial.

Quanto à questão das finanças familiares, não há manual que possa ignorar o impacto do consumismo desenfreado na situação financeira das pessoas. Entendamos por consumismo a procura da própria identidade no consumo de bens e serviços, assim como os gastos exagerados destinados à compra de produtos supérfluos ou em quantidade desnecessária.

O enfrentamento dessas questões já está profundamente enraizado na sociedade. Não é, portanto, um produto da pandemia de Covid-19. O que acontece é que a tendência é de que esse movimento ganhe enorme volume no curso da pandemia.

A paralisação da economia, a incerteza, a perda de empregos e renda, o fechamento de empresas e a preocupação com o futuro e a sobrevivência farão com que as pessoas passem a se preocupar mais com equilíbrio orçamentário, controle de gastos, geração de fundos de reserva, controle do consumo e investimentos.

Um estudo da CNI (Confederação Nacional das Indústrias) produziu dados que confirmam essa tendência. Segundo o estudo, entre 50% e 72% da amostra indicou que manterá os níveis de consumo dos dias de isolamento no pós-pandemia. Calçados, roupas, cosméticos e móveis, caso mantenha-se a tendência atual de consumo no pós-pandemia, serão os itens mais afetados.

Outro aspecto que reforça a tendência do consumo consciente é o resultado de um estudo feito pela parceria entre Engaje! Comunicação, Perception e Brasil Panels. O estudo mostrou que cerca de 60% dos consumidores privilegiará o preço na escolha dos itens de consumo mesmo após a pandemia.

Esses são dados importantes, pois deverão modificar a forma como o varejo faz a gestão dos estoques e do portfólio de produtos, só para citar alguns aspectos estratégicos do negócio varejista.

3. Saúde subindo para o topo das prioridades

Observou-se que na China, país que conseguiu controlar a pandemia, as pessoas passaram a consumir mais produtos orgânicos e manifestar maior preocupação com cuidados ambientais. São fatores que convergem para a prevenção de saúde.

Ficou muito claro que os efeitos da pandemia se fizeram notar nas pessoas mais idosas e naquelas em que se fazia presente um conjunto de comorbidades.

A literatura é farta sobre o tema e as pessoas sabem da importância de levar uma vida saudável, cuidando da mente e do corpo, para serem menos vulneráveis a doenças e a condições infecciosas, como é o caso do Novo Coronavírus.

Quando mesmo o sistema de saúde privado se mostra incapaz de fazer frente a uma pandemia como a de Covid-19, as pessoas passam a entender que a saúde está nas mãos delas.

Não é difícil imaginar que tomarão muito mais cuidado com o que comem. Assim como os serviços ligados a atividades físicas serão alvo de grande procura no pós-epidemia. As terapias alternativas e adesão a produtos naturais, que também são tendências em curso, ganharão um volume bem mais expressivo na economia pós-pandemia.

Uma reflexão

Cabe aos gestores atentarem para essas três tendências. Elas estão presentes no pré-Covid e estarão fortalecidas no pós-pandemia.

É evidente que não vamos orientar todo o nosso planejamento com base nessas tendências. Afinal, a História mostra que crises provocam transformações, mas não rupturas. O ser humano é o que é e as transformações mais radicais surgem mais pela mudança das condições materiais do que pela reflexão decorrente das crises.

Além disso, é preciso reconhecer que somos diferentes, cada grupo com seus próprios padrões de consumo e comportamento. O mais importante continua sendo estruturar sua oferta com base em informações que incluam, acima de tudo, as características da fatia do público que você escolheu para chamar de sua.

Esperamos que o conteúdo tenha sido esclarecedor e ajude você nas difíceis decisões que todos teremos que tomar no futuro próximo.

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