Cenário do E-Commerce no Brasil

Se você tem alguma dúvida acerca da importância do E-Commerce no Brasil e do potencial em oportunidades que o setor representa, talvez seja recomendável ler este artigo com atenção.

Quando dizemos que o comércio eletrônico no Brasil não conhece crise econômica e que a curva de crescimento do setor está longe do seu teto, baseamo-nos em números bastante consistentes, como o levantamento feito pela parceria EBIT / Nielsen, duas instituições de altíssima credibilidade.

Os números do e-commerce, como você poderá constatar ao longo deste artigo, revelam uma realidade paralela no Brasil, que não espelha em nada o momento delicado da economia nacional.

Caso você esteja pensando em ser um empreendedor digital, esses números te interessam. Investir no e-commerce pode ser uma decisão capaz de abrir uma janela promissora para a independência financeira.

E-Commerce cresce 285,5% em 7 anos

Estamos no ano de 2011. Na ocasião, as empresas ainda buscavam resolver a equação envolvendo presença digital, estratégias promocionais e resultados comerciais. Presenciávamos o boom das Fanpages corporativas no Facebook, que desbancava o Orkut como rede social preferida dos brasileiros.

Grandes redes do comércio varejista começavam a estabelecer seus canais de venda na internet. Walmart, Mercado Livre e Netshoes eram algumas das empresas já estabelecidas no e-commerce. O consumidor ainda olhava a novidade com desconfiança. Comprar pela internet seria seguro?

Mesmo assim, o e-commerce movimentou, naquele ano, R$ 18,7 bilhões. Sete anos depois, o faturamento do setor foi de R$ 53,2 bilhões, um crescimento, em relação a 2011, de 285,5%.

Vivemos hoje uma realidade totalmente diferente, em que pequenos e grandes varejistas competem pela preferência do consumidor no mesmo ambiente de negócios. A confiança do consumidor na segurança das compras online aumenta a cada ano. Somente em 2018, cerca de 10 milhões de consumidores realizaram sua primeira compra online.

Classes com menor poder de consumo respondem por 54,2% das compras em 2018

Esse enorme contingente de novos consumidores digitais contribuiu para que o setor tivesse um crescimento de 12% em comparação com 2017. O número de pedidos teve crescimento de 10% no mesmo período, atingindo a marca de 123 milhões. Um contingente de 58 milhões de pessoas fez pelo menos uma compra online, com uma média de 2,12 pedidos por consumidor, o que indica um enorme potencial de crescimento do setor, movido, principalmente, pela mudança gradativa do comportamento de compra.

Seguindo a tendência mundial de que cada vez mais os consumidores comprem pela internet bens não duráveis, como alimentos não perecíveis, cosméticos e medicamentos, elevando o ticket médio. Falando em cosméticos, o setor de cosméticos, perfumaria e saúde teve crescimento de 51% em volume de pedidos em 2018. O setor, aliás, é o líder em importância no e-commerce, com participação de 17,2% nas vendas online no Brasil.

As outras categorias de produtos que mais vendem online no Brasil são:

– moda e acessórios – 16,5%

– casa e decoração – 12,8%

– eletrodomésticos – 10,6%

– esporte e lazer – 7,1%

Na rota da mudança de comportamento, merece registro, também, o crescimento de 23% do setor de alimentos e bebidas, que já tem uma participação de 4,5% no mercado de e-commerce.

O dado mais curioso, entretanto, é a participação das classes de menor poder de consumo, que responderam por 54,2% das compras em 2018. A região Nordeste foi a que obteve maior crescimento proporcional em vendas, alcançando a marca de 27%, embora a região Sudeste ainda corresponda por 57,6% das compras online.

Essa é uma informação de grande valor estratégico para quem pretende entrar no mercado de e-commerce.

A revolução dos dispositivos móveis

Dois fatores contribuíram sensivelmente para o crescimento do e-commerce em 2018 e devem continuar impulsionando as vendas em 2019. Estima o estudo Ebit / Nielsen que o faturamento do setor terá um crescimento de 15% em 2019, alcançando R$ 61,2 bilhões, com a ressalva de que esse número refere-se somente às vendas de bens de consumo.

Um desses fatores é a queda do volume de compras em sites internacionais. A redução foi de 22% em 2018 e o quadro não deve mudar em 2019, o que sinaliza uma oportunidade para o e-commerce nacional capturar o budget desse público para consumo.

Outro aspecto importante que vem impulsionando as vendas do e-commerce nos últimos anos é a disseminação do uso de dispositivos móveis. Nada menos que 7 em cada 10 brasileiros possuem smartphones. Não é de se estranhar que em janeiro de 2019 42,8% dos pedidos tenham sido feitos por meio de dispositivos móveis. Apenas um ano antes, em janeiro de 2018, a participação dos dispositivos móveis no número de pedidos era de 30,7%.

Desafios e futuro do e-commerce no Brasil

Apesar da curva regular de crescimento, o e-commerce brasileiro ainda está longe de acompanhar o ritmo do setor no mercado global. Em 2018, o crescimento no mundo foi de 24%. O dobro, portanto, do crescimento brasileiro. No mesmo período, a América Latina cresceu 17,9%, mas o comércio online responde por somente 2,7% do consumo, contra uma média mundial de 12%.

O Brasil ainda terá que enfrentar alguns desafios para acelerar o crescimento do e-commerce. Um dos problemas recorrentes é a estrutura do país, a começar pela qualidade da conectividade. A internet brasileira é três vezes mais lenta que a média global, representando um entrave para o setor.

Outro problema estrutural é a necessidade da cobertura de uma vasta extensão territorial, que, em muitos casos, compromete a promessa do e-commerce de entregar em qualquer lugar. Além de haver pontos não cobertos pelas empresas de transporte, há outros tantos em que as condições de segurança inviabilizam a entrega.

A média de entregas no prazo prometido ainda pode melhorar bastante. Atualmente, está abaixo de 90%, com destaque negativo para o Nordeste, onde a média é de 81%.

Outro desafio para o e-commerce é a legislação tributária, que impõe enormes dificuldades ao empreendedor, muitas vezes inibindo a iniciativa empresarial.

Quanto à questão tributária, o empresariado brasileiro espera ávido pela reforma prometida pelo governo. Já quanto aos problemas estruturais a solução está relacionada ao investimento, público e privado, o que não parece muito visível no horizonte.

Nada, no entanto, que comprometa o futuro do e-commerce no Brasil. Um claro indicador de um futuro alvissareiro é o crescimento regular, desde 2014, do ticket médio do consumidor brasileiro, que foi de R$ 434,00 em 2018, contra R$ 429,00 em 2017. A tendência é de um crescimento de 3% em 2019, alcançando R$ 447,00.

Um dado encorajador é que os números do primeiro trimestre, segundo levantamento feito pela Abcomm, espelham as previsões do estudo Nielsen / Ebit. O crescimento nos primeiros três meses do ano, em relação ao mesmo período de 2018, foi de 16%.

Segundo a Abcomm, o país conta, atualmente, com 87 mil lojas virtuais, que empregam, de forma direta, 320 mil trabalhadores. A melhor notícia, no entanto, é que as pequenas e médias empresas respondem por 30% das vendas, o que mostra que há oportunidades para todos.

O faturamento, no mesmo período, foi de R$ 17 bilhões, projetando um faturamento anual de R$ 68 bilhões, contra os R$ 53,2 bilhões de 2019. Segundo relatório da Worldpay Inc., a previsão é de que o resultado mais que dobre até 2022, alcançando os R$ 146,91 bilhões.

Justificam o otimismo fatores como:

– a entrada de novos consumidores na rede de consumo do comércio eletrônico;

– a mudança de comportamento de consumo online

– os novos modelos de negócios, que permitem a entrada e a expansão de novos players no mercado;

– a entrada definitiva dos supermercados e de grandes marcas nas vendas online;

– a expansão dos aplicativos de entrega imediata.

Se as informações mercadológicas contidas neste artigo eram o que faltava para você tomar a decisão de empreender no e-commerce, agora é só dar o próximo passo.

Fale com um de nosso especialistas e não perca mais tempo e aproveitar este crescimento juntos.