Por que as vendas do varejo físico estão despencando enquanto o e-commerce cresce?

Conforme o indicador SpedingPulse da Mastercard, as vendas totais do varejo do Brasil caíram 2,3% se comparado ao mesmo período do ano passado. Já no e-commerce, o crescimento foi de 26,7%, sendo o mais expressivo resultado desde fevereiro de 2014. Estes números são apenas a mais recente atualização do que já vem sido divulgado nas manchetes durante toda a crise econômica do país.

De acordo com o IBGE, a inflação e a redução na renda e crédito são os principais motivos pela queda das vendas no varejo físico. Por outro lado, tais explicações também deveriam impactar no comércio eletrônico, que continua em crescimento acelerado. Então, além disso, há um motivo muito mais relevante:

Mudança do comportamento do consumidor

O fato é as pessoas buscam cada vez mais relacionamento, valor agregado ao produto e experiência, coisas que o varejo físico não está proporcionando. E essa mudança de comportamento, pela busca de experiência, é o principal motivo para que as vendas nas lojas físicas caem enquanto nas virtuais crescem.

Nos Estados Unidos e Europa, grandes empresas já começaram a sacar isso e apostam em diferenciais nas suas lojas físicas que atraem o consumidor. É o caso de uma unidade da Adidas em Berlim, que usa lasers para rastrear seu corpo e criar roupas com uma modelagem perfeita e individualizada:

A realidade é que no momento não há muitos motivos para os consumidores irem até uma loja, a não para ser ver o produto ao vivo e experimentá-lo. Por outro lado, o e-commerce possui preços mais atrativos, proporciona a facilidade de pesquisa e compra e, claro, a comodidade de receber em casa.

O e-commerce também precisa melhorar

Apesar do grande crescimento do comércio eletrônico, os varejistas online também precisam igualmente parar de tentar apenas atrair tráfego, vender e entregar: é cada vez mais necessário agregar experiência e melhorar o atendimento ao cliente.

O e-commerce elimina a necessidade de interação humana, já que o cliente faz tudo sozinho. E assim, as empresas acabam deixando de lado o relacionamento, não enxergando a importância do mesmo nas vendas virtuais. A maioria das lojas virtuais parecem se acomodar pelo fato de que suas vendas têm crescido naturalmente, não ainda se preocupando com entregar algo a mais e atender bem.

É importante reforçar que o varejo físico não está morrendo, e nem nunca morrerá. A tendência é justamente que este se renove e proporcione novas experiências, aproveitando-se da tecnologia cada vez mais disponível e se integre ao e-commerce (omnichannel) que, por sua vez, ainda precisa amadurecer.